Será que o Pastor Russell era racista?

Muitos sites, blogs, redes sociais e vídeos têm disseminado a ideia de que o fundador dos Estudantes da Bíblia, o Pastor Charles Taze Russell, era racista. Os argumentos para tal frequentemente se baseiam em citações extraídas de publicações antigas. Muitas vezes o que se têm são uma composição de várias frases isoladas de seu contexto, que podem dar a impressão de que isso é verdade.

Para rebater tais acusações falsas apresentaremos aqui todas as frases em seu contexto original, bem como muitas outras citações em que o Irmão Russell apresenta a raça negra num contexto igualitário, digno do pensamento cristão.

Por envolver um trabalho longo de tradução, o faremos progressivamente. Acompanhe essa postagem para receber as atualizações.

Vamos à primeira afirmação:

“Deus…tem especialmente abençoado e favorecido certos ramos da raça ariana na Europa e na América… A Igreja eleita será… composta principalmente da altamente favorecida raça branca.”

Estas frases encontram-se na publicação “THE BIBLE VERSUS THE EVOLUTION THEORY.
–A LIVE TOPIC DISCUSSED BY TRAVELING MINISTERS” (A Bíblia Versus a Teoria da Evolução — Um Tópico Vibrante Discutido Por Ministros Numa Viagem”), de 1898.(Leia na íntegra aqui, em inglês.)

Nessa publicação encontramos uma conversa imaginária entre dois ministros religiosos durante uma viagem de trem, o “Ministro Alfa”, um presbiteriano que acreditava na evolução e o “Ministro Beta”, um Estudante da Bíblia que procurava refutar isso.

A certa altura da conversa o “Ministro Beta” começa a falar sobre a doutrina da eleição e o “Ministro Alfa” confessa que os presbiterianos não estão mais pregando essa doutrina tão amplamente como antes. Daí o “Ministro Beta” diz que entende a situação, principalmente quando se pensa que, a princípio, se existem os eleitos, devem existir os não eleitos, e a ideia de que tais não eleitos foram predestinados por Deus para a destruição é algo muito perturbador.

Nessa parte o “Ministro Beta” passa a apresentar o harmonioso ponto de vista da obra A Aurora do Milênio* sobre esse assunto. (*Posteriormente chamada de Estudos das Escrituras)

Ele diz que “Deus, durante a Era atual não está tentando abençoar o mundo inteiro, mas apenas certas partes deste mundo — não está tentando salvar o mundo inteiro, mas meramente selecionar, do mundo, uma Igreja, um “sacerdote real, uma nação santa, um povo peculiar.” Porém, continua explicando, “isso não quer dizer que todo o restante da humanidade que não for eleita durante a Era do Evangelho serão condenadas e atormentadas para sempre. Bem pelo contrário.”

Em resposta, o “Ministro Alfa” tenta argumentar que não pode ser assim. Que não faz sentido Deus não estar tentando salvar o mundo inteiro agora. Ele cita como apoio o texto que diz que o Evangelho foi pregado “a toda criatura debaixo do céu”. Ele diz que se Deus não estivesse tentando salvar o mundo inteiro agora, mas apenas uma classe eleita, ele estaria fazendo “acepção de pessoas”.

É mais ou menos nesse ponto que o “Ministro Beta” apresenta sua refutação, provando que Deus tem lidado com certos grupos de pessoas, como os israelitas e outros. Mas isso não significa que ele rejeita INDIVÍDUOS de outros grupos, mesmo que não sejam dos grupos principais com os quais Deus está, na Era Evangélica, atuando.

Vejamos, quase na íntegra, o argumento do “Ministro Beta”:

B.– Observemos esse ponto. Exporei os argumentos de A AURORA DO MILÊNIO sobre esse assunto, e depois você me diz se eles resolvem o problema de modo pleno, amplo e satisfatório.

Eu chamo sua atenção para o fato de que a luz do Evangelho surgiu na Palestina, que fica na junção, podemos dizer, de três continentes — Europa, Ásia e África. Teria sido mais perto se o Evangelho fosse pregado para o sul, em direção a África, aos milhões de pessoas sem conhecimento ali. Mas a África ainda está na escuridão, sendo apenas um pouco tocada pela luz da verdade nas suas fronteiras ao norte. Também teria sido mais perto se a luz do Evangelho tivesse sido enviada em direção ao Oriente, para as centenas de milhões na Índia ou para a China e suas centenas de milhões de pessoas. Mas a Índia e a China têm estado  em escuridão por dezoito séculos, excetuando-se alguns flashes da luz da verdade que os alcançou. A Europa ficava mais distante, mas para a Europa, e da Europa para a América, o Senhor se agradou de enviar a luz do Evangelho, “Uma luz para iluminar os gentios”.

O oposto porém, conforme registrado em algumas palavras registradas em Atos dos Apóstolos (16:6, 7) relacionadas com a missão do grande Apóstolo aos gentios, S. Paulo, mostram-nos inquestionavelmente que o envio do Evangelho à Europa foi um ato Divino intencional — predestinação — escolha e eleição.

(…)

Agora me diga, será que esses fatos não provam que a providência divina tem muito que ver com o progresso e a direção do candelabro da verdade? Não seriam eles uma manifestação de eleição divina ou seleção? Veja bem, estou seguindo a hipótese apresentada em A AURORA DO MILÊNIO, de que os não eleitos e os não iluminados estão similar e proporcionalmente não condenados. Não estou alegando com isso que Deus talvez faça acepção de pessoas. É algo bem diferente que Deus talvez faça acepções de raças, ou melhor, aparentemente tem feito acepções de raças, e tem especialmente abençoado e favorecido certos ramos da raça ariana na Europa e na América. Mas o fato de que a raça branca tem sido mais abundantemente abençoada COM A LUZ DO EVANGELHO (ênfase minha) do que outras não quer dizer que quando membros de outras raças ouviram e apreciaram o Evangelho eles foram repelidos ou rejeitados pelo Senhor. Esse conceito está em plena harmonia de que Deus não faz acepção de pessoas, mas que “lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo”. Em harmonia com isso, o autor de A AURORA DO MILÊNIO sustenta que, ao passo que a Igreja eleita será PROVAVELMENTE (ênfase minha) composta principalmente da altamente favorecida raça branca, no entanto, ela provavelmente incluirá representantes de “todas as nações, e tribos, e povos”.

***

Quando consideramos o contexto, observamos que:

* Russell jamais se referiu denegridamente ou de modo racista a qualquer etnia em particular.

* Russell atesta o fato que a raça branca (ariana) tem recebido o favor de Deus, mas jamais afirma que essa raça é superior às outras.

* Diz que a Igreja será composta de representantes de “todas as nações, e tribos, e povos”.

* Afirma que “Deus não faz acepção de pessoas”.

Vemos, portanto, que o ponto em questão era simplesmente provar que Deus lidava com certos grupos em particular, como o povo judeu, mas sempre aceitou indivíduos de outras raças ou etnias.

É importante lembrar também que no ano em que esse texto foi produzido, 1898, o termo “ariano” não carregava as conotações racistas posteriormente atribuídas pelo horror do nazismo.

***
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