Os cristãos devem celebrar o Natal?

A resposta a essa pergunta está relacionada com o princípio expresso pelo apóstolo Paulo em Romanos 14:4, 5:

“Quem és tu que julgas o servo alheio? para o seu próprio amo está em pé ou cai; mas ele estará firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar. Um avalia um dia mais que outro dia; outro avalia todos os dias iguais; esteja cada um plenamente convencido em sua mente.”

O ponto é que cada cristão tem que avaliar o assunto pessoalmente. Existem argumentos pró e contra a celebração do Natal. 

Os que condenam o Natal, dizem que Jesus não nasceu em 25 de dezembro e a data de 25 de dezembro é pagã. Afirmam que 25 de dezembro foi “cristianizado”, isto é, era originalmente uma celebração pagã e depois foi adotado pelo Cristianismo.

A Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog explica em seu artigo sobre o Natal:

“Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã Brumália (25 de dezembro), que seguia a Saturnália (17 a 24 de dezembro) e comemorava o nascimento do deus sol, no dia mais curto do ano.” As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas nos costumes populares para serem suprimidos pela influência cristã. Essas festas agradavam tanto que os cristãos viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na forma de sua observância.”


UMA OUTRA EXPLICAÇÃO

A renomada Sociedade Bíblica de Arqueologia escreveu um artigo, em inglês, intitulado: “Como 25 de dezembro se tornou o Natal”. Em essência, ali diz que vários grupos cristãos por volta do fim do segundo século EC já estavam tentando determinar a data do nascimento de Cristo.

O artigo diz:

“Por volta de 400 EC, Agostinho de Hipona menciona um grupo cristão dissidente local, os Donatistas, que aparentemente mantiveram festivais de Natal em 25 de dezembro. Visto que esse grupo só surgiu durante a perseguição sob Diocleciano em 312 EC, a crença deles parece representar uma antiga tradição cristã norte-africana. (…)

Assim, quase 300 anos depois que Jesus nasceu, finalmente encontramos pessoas observando seu nascimento em meados do inverno. Mas como eles chegaram à data de 25 de dezembro? Por estranho que possa parecer, a chave para calcular o nascimento de Jesus pode estar na data da morte de Jesus, na Páscoa.
Por volta de 200 EC Tertuliano de Cartago relatou o cálculo que o 14 de Nisan (o dia da crucificação de acordo com o Evangelho de João) no ano em que Jesus morreu era equivalente a 25 de março no calendário romano (solar) . 25 de março é, naturalmente, nove meses antes de 25 de dezembro; Essa data foi mais tarde reconhecida como a Festa da Anunciação – a comemoração da concepção de Jesus. Assim, Jesus teria sido concebido e crucificado no mesmo dia do ano. Exatamente nove meses depois, Jesus nasceu, no dia 25 de dezembro.

Essa ideia aparece em um tratado cristão anônimo intitulado Sobre Solstícios e Equinócios, que parece vir do norte da África do século IV. O tratado afirma: “Por isso, nosso Senhor foi concebido no oitavo das calendas de abril, no mês de março, que é o dia da paixão do Senhor e de sua concepção. Porque naquele dia ele foi concebido, e naquele mesmo dia (ou seja data) ele sofreu.” Com base nisso, o tratado coloca a data do nascimento de Jesus no solstício de inverno.

Agostinho também estava familiarizado com essa associação. Em Sobre a Trindade (c.399-419) ele escreve: “Pois ele [Jesus] foi concebido no dia 25 de março, dia em que também sofreu; Assim, o ventre da Virgem, em que foi concebido, onde nenhum dos mortais foi gerado, corresponde ao sepulcro novo em que ele foi sepultado, em que nunca foi homem algum colocado, nem antes dele, nem desde então. Mas ele nasceu, segundo a tradição, no dia 25 de dezembro “.

Embora esses fatos estejam vindo à tona mais recentemente, para os Estudantes da Bíblia, isso não é novidade. O Irmão Russell escreveu o seguinte, no Volume 2 de Estudos das Escrituras:

“A diferença entre o calendário lunar, usado pelos judeus, e o calendário solar, agora em uso comum, seria de alguns dias, de modo que não poderíamos ter certeza de que o dia exato não poderia ser por volta de 27 de setembro, mas 1º de outubro do ano 2 a.C., é aproximadamente correto. Nove meses antes daquela data nos traria para cerca do Natal do ano 3 a.C., como a data em que nosso Senhor deixou de lado a glória que teve com o Pai antes que (…) a mudança para a natureza humana começou. Parece provável que essa foi a origem da celebração de 25 de dezembro como Dia de Natal. Alguns escritores sobre a história da Igreja afirmam, inclusive, que o Natal foi originalmente celebrado como a data da Anunciação de Gabriel à virgem Maria.” (Lucas 1:26)

Como vimos, há outra explicação para a celebração do nascimento de Jesus em 25 de dezembro, uma que não envolva, necessariamente, a cristianização de celebrações pagãs.

A ÁRVORE DE NATAL
Mas que dizer de outros elementos do Natal, como a árvore decorada? As Testemunhas de Jeová, os da Igreja de Deus e alguns outros grupos fundamentalistas que não celebram o Natal costumam citar, entre outros textos, 1 Reis 14:22-23, que diz:

“Judá fez o mal à vista de Jeová; e com os pecados que cometeram provocaram-no a zelos muito mais do que tinham feito seus pais. Pois também edificaram para si altos, colunas e Aserins em cima de todos os elevados outeiros, e debaixo de todas as árvores verdes.” (Tradução Brasileira)

De fato, o livro “As Duas Babilônias”, de Alexander Hislop (que influenciou muito a Rutherford) disse sobre a árvore de Natal:

“A árvore de Natal, hoje tão comum entre nós, foi igualmente comum na Roma pagã e Egito pagão. No Egito, aquela árvore era a palmeira; em Roma era o abeto, a palmeira que denota o Messias pagão, como Baal-Tamar, o pinheiro se referindo a ele como Baal-Berith.”

Este livro influenciou o sucessor de Russell, Rutherford, a banir muitas celebrações populares


UMA OUTRA EXPLICAÇÃO

Veja o seguinte comentário interessante sobre a possível verdadeira origem da árvore de natal:

“Os primeiros registros de uma festa com um pinheiro decorado remetem ao final do século 16, quando a autoridade de uma localidade da Alsácia mandou montar a primeira árvore de Natal. A coisa só virou moda na Alemanha pelos idos de 1800, quando as famílias protestantes passaram a adotar o pinheiro como decoração caseira para o Natal. (…) Decisiva para sua difusão foi a guerra franco-prussiana de 1870 (…) Na época, por ordem das lideranças militares [alemãs], árvores de Natal foram dispostas nas trincheiras, como sinal dos laços com a pátria. Ao que tudo indica, a ideia espalhou-se rapidamente pelo mundo, pois a primeira árvore pública, exposta numa praça e enfeitada com guirlandas, foi registrada no Natal de 1910, não na Alemanha, mas sim em Nova York. 

Lenda do paganismo

Em compensação, até hoje circula o boato que esse costume da árvore decorada proviria de culto pagão. Ledo engano. Segundo pesquisas mais recentes a árvore natalina viria dos autos medievais sobre o Paraíso, onde, no dia 24 de dezembro, se erguia a Árvore do Bem e do Mal, sob a qual era encenada a queda de Adão e Eva. Do lado que simbolizava a Redenção, a árvore era enfeitada com maçãs e outras guloseimas; do outro lado, pecaminoso, não havia nada, descreve o estudioso de Bonn.” 

(Leia o artigo na íntegra aqui.)

A árvore de Natal pode não ter origem “pagã”

CONCLUSÃO


Como vimos, pode haver mais de uma explicação para os costumes envolvidos. Outra coisa que precisamos levar em consideração é se atualmente existe conotação pagã. Costumes que anteriormente eram pagãos, como usar aliança de casamento, noivas se casarem de branco, usar bolos em celebrações, etc., com o tempo, perderam totalmente qualquer conotação pagã. Com isso em mente, perguntamos: O que o Natal significa para as pessoas? Uma festa pagã, ou uma oportunidade de estar junto da família e de quem se ama?

Não estamos aqui afirmando que o Natal deve ser celebrado. A questão é que deve ser um assunto de consciência pessoal. Embora tradicionalmente a maioria dos Estudantes da Bíblia celebre o Natal, pode haver casos de alguém decidir não celebrar, especialmente se essa pessoa veio de uma religião que condenava essa prática. Por outro lado, a pessoa que não celebra deve respeitar aquele que pensa diferente. O importante é, conforme o apóstolo Paulo disse, cada um estar plenamente convencido em sua mente. Não devemos julgar o outro.

Independentemente de sua decisão, o Natal é uma ótima oportunidade para nos lembrar do extraordinário presente que a humanidade ganhou de Deus: Nosso Senhor Jesus. Por meio dele podemos ter vida, e vida em abundância!

Fazemos nossas as palavras dos anjos por ocasião do nascimento de Jesus: 

“E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens.” (Lucas 2:10-14)

Assim, quer você celebre o Natal ou não, jamais se esqueça de demonstrar gratidão a Deus pelo incrível presente que a humanidade recebeu, nosso Senhor Jesus Cristo. Como diz 2 Pedro 3:18, “continuem crescendo na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória tanto agora como até o dia da eternidade. Amém.”

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