Perguntas sobre Russell e os Estudantes da Bíblia

Temos recebidos muitas perguntas sobre o Movimento dos Estudantes da Bíblia e seu fundador, o Irmão Charles Taze Russell. Daremos aqui respostas diretas e indicaremos postagens onde poderão se aprofundar no assunto abordado. Os assuntos estão divididos por tópicos, que serão constantemente atualizados.

COMPARAÇÃO COM AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

  • Questão do sangue: Atos 15:29 proíbe transfusão de sangue?

Obviamente, não. O texto fala de comer sangue, não de usá-lo para fins medicinais. Ademais, 1 Cor. 10:25-27 dá a entender que a questão de não comer sangue era um arranjo temporário, apenas para não causar mais atritos entre os cristãos de origem judaica e os cristãos gentios. Paulo diz ali que alguém, ao ir no açougue ou na casa de um não-cristão, podia comprar ou comer de tudo sem perguntar a origem. (Os pagãos comiam alimentos feitos de sangue. Se não fosse correto comer sangue, por que Paulo daria essa ordem?)

Veja também: Será que as transfusões de sangue são proibidas por Deus?

  • Existem desassociados no Movimento dos Estudantes da Bíblia? Se existem, o tratamento é o mesmo empregado pelas Testemunhas de Jeová?

Embora não usemos a terminologia “desassociados”, há casos raros em que certo membro se desviou tanto e impenitentemente do caminho cristão, que, depois de feitos esforços infrutíferos para reajustá-lo, foi preciso expulsá-lo da eclésia (congregação). Ainda assim, mantemos o civismo e a educação para com tais. Embora não nos associemos com essas pessoas, nada impede de as cumprimentarmos cordialmente. Veja informações detalhadas aqui: Como os Estudantes da Bíblia tratam as pessoas excluídas?

  • Como encaramos as Testemunhas de Jeová e outras religiões que ensinam as mesmas verdades básicas de não haver Inferno, Trindade e alma imortal?

Naturalmente, prezamos quando verdades são ensinadas. Entendemos que podem haver cristãos sinceros e verdadeiros em tais grupos. No entanto, não fechamos os olhos para os ensinos falsos desses grupos. No caso das Testemunhas de Jeová, por exemplo, o foco que dão numa suposta esperança terrestre para cristãos é um erro gravíssimo que pode impedir que alguém entre no Reino dos Céus. Sobre os fariseus do primeiro século, Jesus falou: “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo.” (Mateus 23:13) Sem querer julgar ninguém, devemos ficar atentos a essas sóbrias palavras.

  • Como os Estudantes da Bíblia encaram a Presciência Divina?

Tanto os Estudantes da Bíblia, quanto as Testemunhas de Jeová, acreditam que Deus pode usar, seletivamente, seu poder de presciência, isto é, de ver o futuro antes de este acontecer. No entanto, os Estudantes da Bíblia crêem que Jeová usou este poder por ocasião da criação de Adão e Eva e, portanto, sabia que eles pecariam. Já as Testemunhas de Jeová dizem que não, que Deus não sabia que Adão e Eva pecariam e nem poderia saber, pois seria hipócrita da parte de Deus dar uma ordem que Ele saberia que seria desobedecida. Os Estudantes da Bíblia não veem contradição alguma nisso, pois, outras ordens de Deus foram dadas quando há evidências de que Ele sabia que seriam desobedecidas. Por exemplo, muitas leis foram dadas à nação de Israel, mas Jeová sabia que eles não conseguiriam guardá-las com perfeição. Isso não faz de Deus hipócrita, pois era verdade que quem as guardasse perfeitamente viveria. Tanto é que Jesus guardou perfeitamente as leis e tinha direito à vida. Consequentemente, Adão e Eva, se tivessem usado o livre-arbítrio de modo correto, viveriam. O fato de Deus saber o que eles fariam não anula esse fato.

Visto que Deus sabia o que ocorreria, para os Estudantes da Bíblia, Deus usou esse conhecimento para elaborar um majestoso Plano Divino, que, no decorrer das Eras, ensina à humanidade as consequências de suas más escolhas e seleciona um pequeno rebanho que, por fim, e junto com Jesus, levará a humanidade de volta à perfeição.
Já no entendimento das Testemunhas de Jeová, Deus não sabia o que ia acontecer. Foi pego de surpresa com a rebelião de Satanás e de Adão e Eva, e depois, elaborou um plano de contingência visando remediar as consequências do pecado.

  • Que diferenças básicas há entre os Estudantes da Bíblia e as Testemunhas de Jeová?

Os Estudantes da Bíblia (EB) acreditam que a Grande Multidão (Apoc. 19:1) é uma classe celestial secundária, as Testemunhas de Jeová (TJ) acreditam que é uma classe de cristãos terrestres. Os EB acreditam que o Israel natural, restaurado em 1948, terá um papel importante na fase terrestre do reino, as TJ acreditam que o Israel natural foi abandonado para sempre. Os EB celebram aniversários, Natal e outras datas, de acordo com a consciência individual, as TJ condenam todas essas datas e expulsam de seu meio quem as celebra. Para os EB, a presença invisível de Cristo começou em 1874, para as TJ, em 1914. Para a maioria* dos EB, Russell é o “escravo fiel”, para as TJ, é o Corpo Governante. (*Alguns EB acreditam que o “escravo fiel” são todos os cristãos fiéis, desde 33 d.C. até a revelação de Jesus. O próprio Russell pensava assim.) Os EB acreditam que Jesus morreu numa cruz, as TJ acreditam que foi numa estaca. Os Estudantes da Bíblia entendem que Jeová sabia que Adão e Eva pecariam e antecipadamente elaborou um Plano especial para lidar com isso, as Testemunhas de Jeová entendem que Deus não sabia que Adão e Eva pecariam e foi pego de surpresa.

  • Os Estudantes da Bíblia, pregam de casa em casa?

Os Estudantes da Bíblia creem que pregar é uma comissão cristã. Assim, pregamos de diversas maneiras: aos amigos e parentes, nas ruas, por meio de estandes em feiras, pela internet, página impressa, canais de TV, etc. Alguns indivíduos e eclésias pregam de casa em casa. Mas não acreditamos que esse seja o único método. Atos 20:20 é entendido no contexto de pregar nas casas de irmãos, que era onde as eclésias (congregações) ficavam. Assim, temos um contraste entre a pregação pública (feiras, praças, etc.) e a particular (casas dos irmãos). Devido à perseguição contra os cristãos naquela época e região, é muito improvável que pregassem de casa em casa do modo que as Testemunhas de Jeová e os Mórmons o fazem hoje.

  • Qual o valor do batismo das Testemunhas de Jeová, e o de outras religiões?

De modo geral, os Estudantes da Bíblia acham que existe uma diferença entre o batismo e a imersão. O batismo principal dos cristãos é o do Espírito Santo (na morte, em Cristo, etc.), sob o qual toda a Igreja se encontra. Por isso, existe “um só batismo” para os verdadeiros cristãos. (Efésios 4:5) A imersão, ou o batismo em água, ” consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo”.  (1 Pedro 3:21, BAM) Os Estudantes da Bíblia, ao serem imergidos, o fazem em plena consagração a Deus, isto é, dispostos a sacrificarem sua vida terrestre para servirem a Jeová em união com Jesus Cristo, esperando obter a recompensa celestial. Embora não haja nenhuma diretriz específica concernente ao valor do batismo das Testemunhas de Jeová, entre os Estudantes da Bíblia que já foram Testemunhas de Jeová existe o seguinte consenso: se a pessoa se batizou antes de 1985, geralmente o batismo dessa pessoa é considerado válido. Mas em 1985, as perguntas batismais das Testemunhas de Jeová mudaram. Veja a diferença:

Até 1985:

1ª pergunta: Arrependeu-se de seus pecados e deu meia-volta, reconhecendo-se perante Jeová como pecador condenado que precisa de salvação, e reconheceu perante ele que esta salvação procede dele, o Pai, por intermédio de seu Filho Jesus Cristo?

2ª pergunta: À base desta fé em Deus e na sua provisão de salvação, dedicou-se sem reserva a Deus, para fazer doravante a Sua vontade, conforme ele lhe revela por meio de Jesus Cristo e mediante a Bíblia, sob o poder esclarecedor do espírito santo?

A partir de 1985:

1ª A base do sacrifício de Jesus Cristo, arrependeu-se dos seus pecados e dedicou-se a Jeová para fazer a vontade dele?

2ª Compreende que a sua dedicação e o seu batismo o identificam como uma das Testemunhas de Jeová, em associação com a organização de Deus, dirigida pelo espirito dele?

Ou seja, primeiro dava-se a entender que a pessoa batizada era esclarecida por Deus, por meio de Cristo e da Bíblia com a ajuda do Espírito Santo. Mas depois da mudança, fica subentendido que a pessoa só recebe tais esclarecimentos se estiver associada à organização das Testemunhas de Jeová.

Por isso, muitas Testemunhas de Jeová batizadas a partir de 1985 e que passaram a se associar com os Estudantes da Bíblia acharam que o batismo delas precisava ser ajustado. Naturalmente, isso é uma decisão pessoal. Não há nenhuma diretriz específica.

No caso do batismo em outras religiões, há certos pontos a se considerar. O batismo foi feito em nome de uma Trindade? O candidato entendia plenamente o conceito de consagração total a Deus por meio de Jesus? Em casos assim, de modo geral, sugere-se o rebatismo. Veja abaixo: “Quais são as perguntas batismais dos Estudantes da Bíblia?”

  • Armagedom

O Armagedom é o clímax da Grande Tribulação, mas não é a ocasião de julgar pessoas. O Armagedom é a interferência de Jesus e a Igreja (já completa no céu) nos sistemas políticos, religiosos, militares, sociais, etc. de Satanás. É a plena retomada de controle, por assim dizer, de Deus no mundo. É o “basta” ao governo temporário de Satanás. Imediatamente depois, Satanás é lançado no abismo, junto com os demônios. Começa o Milênio. Haverá sobreviventes. A nação de Israel será protegida de modo especial, esses são os sobreviventes mais importantes, pois serão a base terrestre do novo governo. Muitos outros sobreviverão incidentalmente, isto é, sem proteção especial de Deus. Mesmo os que morreram no Armagedom (por causa das circunstâncias adversas, não por causa de um ato vingativo de Deus), serão ressuscitados depois. Cada um será iluminado com o verdadeiro conhecimento de Deus durante a Era Milenar. Só então, tendo obtido pleno conhecimento de tudo o que está em jogo, é que poderão fazer uma escolha informada. Se decidirem ficar do lado de Deus, receberão a vida eterna na Terra, após a última prova no fim do Milênio.

  • Cruz

Não oramos, nem nos ajoelhamos para a cruz. Não fazemos o “sinal da cruz”. Reconhecemos que a cruz era usada por muitas culturas pré-cristãs, e, portanto, era originalmente um símbolo pagão. Em resumo, não adoramos a cruz.

Porém, acreditamos que o objeto em que Jesus foi pendurado era uma estaca com uma viga transversal. Em outras palavras, uma cruz. As Testemunhas de Jeová dizem que Jesus foi pendurado numa estaca porque esse era o sentido original da palavra grega staurós. Mas não devemos nos apegar apenas ao sentido lexical da palavra. Acima de tudo, o contexto histórico deve ser levado em conta. Como exemplo, considere a palavra lanterna. Veio do latim lanterna, archote, lampião. Originalmente era um objeto com material combustível que era acendido para iluminar. Hoje, existem lanternas à pilha. Mas mesmo assim, quando usamos a palavra “lanterna”, precisamos considerar o contexto histórico e cultural. Estamos falando de luzes que são soltas em rios?

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 Ou será que estamos falando das lanternas que flutuam no ar?

lanterna-2

De acordo com o país, os costumes e o fundo histórico, a mesma palavra muda de sentido. Visto sob essa luz, o mesmo acontece com staurós (originalmente “estaca”, mas também “paliçada”, “cruz” e até outros objetos de madeira.

A tese das Testemunhas de Jeová baseiam-se apenas no argumento linguístico, isto é, que originalmente staurós significava uma estaca simples. Mas devemos levar em conta o argumento histórico, que mostra que staurós evoluiu para outros tipos de significados, isso já bem antes de Jesus ser condenado à morte:

Um texto de Plauto acha-se em Mostellaria, livro I, 1, 56, que diz textualmente: “Ita te ferabunt patibulutum per vias stimuli”. (“Deste modo carregaste teu patibulum pelas ruas sob açoites”). Mais adiante: “Tibi esse pereundum extra portam dispansis manibus, patibulum quom habebis” (“A ti, que hás de morrer fora da porta, de mão estendida, depois de trazeres o patibulum”).  O mesmo autor clássico Plauto em sua obra Carbonaria, fragmento 2, faz outra referência à segunda peça da cruz. “Patibulum ferat per urben deinde adfigatur cruci” (“O patibulum era carregado através da cidade; em seguida pregado na cruz”). Essas palavras foram escritas bem mais de um século e meio antes de Cristo. 

Tertuliano, em fins do século II, em Adversus Nationes, livro II, afirma: “Tota crux impatur cum antenna scilicet sua, et com illo sedilis excessu”. (“Toda cruz, assim suspensa com sua verga atravessada, e nela sobressai o ‘assento'”).  Temos assim, nas citações acima, primeiro o testemunho de um pagão, depois o de um “Pai da Igreja”. Ambos viveram no tempo em que se crucificavam pessoas, e testemunharam a forma da cruz.

Perto de dez dos melhores léxicos gregos são unânimes em definir staurós como: 1. pau; 2. paliçada; 3. estaca; 4. patíbulo; 5. instrumento de suplício; 6. cruz. Não seria nada razoável pretender que a palavra tenha apenas UM desses significados. Da mesma forma, o verbo σταυροω (stauroô), significa “levantar uma paliçada”, “proteger com paus”, “empalar”, “crucificar”. “Tau” é a designação grega da letra T. E o T assemelha-se à cruz. Existe até um tipo de cruz exatamente com essa forma, ou seja, a forma de um T, ou, no grego, de um TAU. O verbo sTAUroô, etimologicamente significa “colocar num TAU” (isto é, num T). A palavra “tau” está dentro de staurós e stauroô. Daí o sentido de “crucificar”.

A cruz, portanto, evoluiu, da simples estaca para o instrumento de tortura com duas peças. Naturalmente, os Estudantes da Bíblia jamais adoram ou veneram a cruz, embora usem o emblema da Cruz Coroada para representar que, sem a vida de sofrimento cristão, não se recebe a coroa da vida imortal.

  • Os Estudantes da Bíblia usam o nome Jeová?

Sim, usamos. Alguns preferem a forma Yahweh, por ser considerada mais exata pelos eruditos. Desde a época do Irmão Russell, o nome Jeová tem sido usado. Porém, os Estudantes da Bíblia não fazem um uso frequentemente abusivo, banal, do Nome Divino. Seguimos o padrão do primeiro século, em que os termos Pai e Deus eram usados com mais frequência por Jesus e seus seguidores. É digno de nota que, mesmo na oração modelo, Jesus não usou o Tetragrama (Jeová), tendo preferido o termos mais íntimo, a chegado, “Pai Nosso”. (Mateus 6:9-13)

  • É correto “restaurar” o Nome Divino no Novo Testamento (Escrituras Gregas)?

Acreditamos que não. Não existe um fragmento sequer, dos milhares existentes, contendo o Tetragrama Sagrado YHWH  (יה-וה). Tudo indica que, no tempo de Jesus, era um tabu pronunciar o Nome Divino. Mas Jeová parece estar mais preocupado com como as pessoas percebem Sua pessoa do que com a forma escrita ou pronunciada de seu nome. Assim, ele trasferiu toda a autoridade para o nome de seu Filho, Jesus:

Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”. (Atos 4:12
Assim, é possível que Jeová tenha usado o nome de Jesus (e a pessoa de Jesus) para se revelar mais plenamente aos humanos. Um dos nomes de Jesus é Emanuel, que significa “Deus conosco”:

““A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamarão Emanuel” , que significa “Deus conosco”.” (Mateus 1:23, NVI

Estaria o nome Jeová representado no nome Jesus? É uma possibilidade:

“Não ficarei mais no mundo, mas eles ainda estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um.” (João 17:11,  NVI)

De fato, ao usarmos o nome de Jesus e darmos glória e honra e ele, estamos dando glória e honra ao Pai, Jeová:

“Jesus, pois, lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo o que ele fizer, o faz também semelhantemente o Filho. Pois o Pai ama ao Filho e lhe mostra tudo o que faz, e maiores obras do que estas lhe mostrará, para que vós vos maravilheis. Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida aos que ele quer. O Pai a ninguém julga, mas tem dado todo o julgamento ao Filho, a fim de que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai, que o enviou.” (João 5:19‭-‬23 TB10

  • Como saber se a palavra Senhor, no Novo Testamento (Escrituras Gregas) refere-se a Jeová ou a Jesus? 

A palavra “Senhor”, no grego coiné da Bíblia, é kyrios ou kurios (κύριος), que significa “Senhor”, “Lorde” ou “Mestre” e é utilizada como sinônimo de Deus ou Jesus. 

Existe uma regra geral de que, quando Kyrios era precedido do artigo definido grego “ho”(ou suas formas flexionadas), referia-se a Jesus. Sem o artigo, poderia* se referir a Yahweh. (*”Poderia” porque muitas vezes os escritores aplicavam a Jesus textos do Velho Testamento, que originalmente se referem a Jeová.)
Sabemos que essa regra é geralmente correta, ao analisarmos a tradução grega do Salmo 110:1 que diz:  “Diz Jeová ao meu Senhor:  Senta-te à minha mão direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.” (Salmos 110:1, TB10

Esse texto, ao ser citado em Lucas 20:42, ficou assim: “Disse Kyrios (sem artigo) ao  to Kyrio (com artigo “to” flexionado no caso dativo).

Vemos então que Jeová foi substituído por Kyrios, sem artigo definido.

Para saber se “Senhor” refere-se a Deus ou a Jesus, basta procurar uma Bíblia interlinear e ver se, no grego original, a palavra Kyrios aparece com artigo ou não.

Duas observações sobre esse método precisam ser levadas em conta:

  1. Variações textuais. Em certo manuscrito a palavra pode aparecer com artigo, mas em outros, não. Isso daria margem para Kyrios referir-se a Jeová ou a Jesus.
  2. Muitas vezes o autor, por inspiração, aplicava a Jesus um texto do Velho Testamento (Escrituras Hebraicas) que fala de Jeová. Podemos ver isso em Hebreus 1:10-12, onde Paulo aplica Salmos 102:25‭-‬27 ao próprio Jesus Cristo (mas Salmos fala de Jeová). Por isso, mesmo os tradutores da TNM, das Testemunhas de Jeová, que têm a política de usarem Jeová toda vez que Kyrios for uma citação de um texto onde no Velho Testamento aparece Jeová, deixaram, em Hebreus 1:10-12, “Senhor”, pois o contexto claramente indica que é de Jesus que está se falando:

 Isso prova que, no final das contas, mesmo que a citação no Novo Testamento seja de um texto do Velho Testamento onde aparece o nome Jeová, ainda assim pode estar se aplicando ao Senhor Jesus.  E isso é muito sério. Assim como não podemos retirar o nome de Deus do Velho Testamento, não podemos incluí-lo no Novo Testamento, quando não se tem prova definitiva que ele estava lá:

“Declaro a todos os que ouvem as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhe acrescentar algo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro. Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na cidade santa, que são descritas neste livro.”(Apocalipse 22:18‭-‬19, NVI


ACUSAÇÕES FALSAS CONTRA CHARLES TAZE RUSSELL

  • Russell cometeu adultério com Rose Ball, uma menor de idade? Russell afirmou que era como uma “Água-viva, tocando pessoas aqui e ali”?

Não. Maria Russell nunca usou a palavra “adultério” em suas acusações. Mas, num processo movido contra Russell, disse que Rose Ball teria dito que Russell havia falado com Rose que ele era como uma “água-viva”. O juiz determinou que tais acusações não tinham nada que ver com o caso sendo julgado e determinou que fosse removida dos autos do processo. Que a  própria Sr.ª Russell jamais acreditou que o Irmão Russell tivesse cometido adultério ou era culpado de conduta imoral fica provado nos registros do caso julgado (página 10). Ao ser perguntada: “Você quer dizer que seu marido é culpado de adultério?” Ela respondeu: “Não.”

Ainda sobre tais acusações, o livro Proclamadores tece os seguintes comentários:

O próprio advogado dela perguntou à sra. Russell se ela achava que seu marido era culpado de adultério. Ela respondeu: “Não.” Vale notar também que, quando uma comissão de anciãos cristãos ouviu as acusações da sra. Russell contra seu marido, em 1897, ela não fez menção das coisas que mais tarde declarou no tribunal a fim de persuadir o júri de que se devia conceder o divórcio, embora esses alegados incidentes ocorressem antes daquela reunião.

Nove anos depois que a sra. Russell levara o caso ao tribunal, o Juiz James Macfarlane escreveu uma carta em resposta a um homem que procurava uma cópia dos autos do processo de modo que um de seus associados pudesse comprometer Russell. O juiz disse-lhe francamente que o que ele queria seria perda de tempo e de dinheiro. A carta dizia: “A base do pedido dela e da sentença no veredicto do júri foi ‘indignidades’ e não adultério, e a prova testemunhal, segundo eu sei, não mostra que Russell levava ‘uma vida adúltera com uma co-ré’. De fato, não havia co-ré.”

O próprio reconhecimento tardio de Maria Russell veio nos funerais do irmão Russell no Carnegie Hall, em Pittsburgh, em 1916. Usando um véu, ela seguiu pelo corredor até o esquife e depositou ali um buquê de lírios-do-vale. Fixa nele havia uma fita com os dizeres: “Ao Meu Amado Esposo.” (jv cap. 29 p. 646)

  • Russell cometeu perjúrio num tribunal, numa ocasião em que mentiu ao afirmar que sabia falar grego?

Em suas próprias palavras:

“Com respeito à minha formação em grego e hebraico: Eu não apenas afirmo não ter conhecimento especial de nenhum desses idiomas, como também afirmo que em mil ministros religiosos, nenhum deles é um erudito, quer em hebraico, quer em grego.” (A Torre de Vigia de Sião, 15 de setembro de 1914, página 286 – em inglês.)

O que aconteceu:

Um ministro presbiteriano de Ontário, no Canadá, caluniou o Pastor Russell em um livreto amplamente publicado. O Pastor Russell foi avisado que a melhor maneira de lidar com isso era levá-lo ao tribunal. Durante o processo judicial, o Pastor Russell foi perguntado se conhecia o alfabeto grego. Ele disse que sim, e então foi perguntado se seria capaz de reconhecê-los numa página impressa. Ele disse que podia, mas poderia cometer alguns erros. Então, fizeram a ele uma pergunta diferente: “Você está familiarizado com a língua grega?” Ao qual o Pastor Russell respondeu: “Não.”

Isso parece bastante simples, mas em um livreto posterior, esse mesmo ministro presbiteriano afirmou que o pastor Russell havia mentido sob juramento. Ele “ajustou” a redação da transcrição oficial do Tribunal, omitindo a palavra “alfabeto”, para fazer parecer que o Pastor Russell havia sido pego numa mentira. Na realidade, o ministro que escreveu esse livreto é que estava sendo falso, e, à propósito, era ele quem estava sendo processado por calúnia!

  • O Pastor Russell era Maçom? Illuminati?

Absolutamente não. Veja a seguinte pergunta de estudo do livro A Nova Criação (Volume VI):

A Nova Criação deveria tornar-se membro de sociedades maçônicas ou de outras sociedades secretas?

Do modo como entendemos o assunto, por exemplo, os Maçons, Odd Fellows, Cavaleiros de Pythias, etc, realizam certos ritos e cerimônias do tipo religioso … Colocamos em um mesmo nível todos aqueles que têm cerimônias religiosas, ensinamentos , etc., e os consideramos todos como partes de Babilônia, cujos alguns quartos ou alas são mais limpos, e outros menos limpos, mas todos, no entanto, cheios de confusão, de erro – contrários à intenção divina conforme demonstrada pelas instruções e organização da Igreja primitiva, por palavra e por exemplo, que lhe foram dadas pelo inspirado Fundador e seus doze apóstolos.

Admoestamos a Nova Criação a nada ter a ver com nenhuma dessas sociedades semi-religiosas, clubes, ordens, igrejas; mas que “saiam do meio deles e separem-se, não toquem em coisas impuras”. (2 Cor. 6:17)

Por fim, um site de Maçonaria do Canadá afirma que Charles Taze Russell jamais foi maçon. Diz também que o emblema da Cruz Coroada não é exclusivamente maçon e até afirma que Russell demonstrava desconhecimento a respeito dos ensinamentos maçons!

Mas por que Russell disse “sou um maçom livre e aceito?”

Essa frase, citada fora de contexto, foi dita num sermão chamado “O Templo de Deus”, feito na Califórnia em 1913. (Veja na íntegra aqui, em inglês.)

Sim, Russell disse: “Eu sou um maçom livre e aceito.” Mas será que ele estava dizendo que era um membro da Free Masons Society (Sociedade dos Maçons Livres)? Absolutamente não! O contexto mostra que ele estava se referindo à alvenaria da Bíblia, não à organização humana conhecida pelo nome de “Maçons Livres”. Ele estava usando a terminologia da Maçonaria Livre para ilustrar o edifício bíblico sendo feito por Deus através de Sua igreja. – Veja: Lucas 6:47, 48; Romanos 14:19; 1 Coríntios 3:9, 10, 12; 14:12, 26; 2 Coríntios 6:16; Efésios 4:7-16; 1 Tessalonicenses 5:11; Apocalipse 3:12. 

Russell estava meramente discursando a maçons e usou, em seu sermão, uma retórica para criar pontos em comum com os membros de sua assistência. Seu objetivo era prender a atenção, não informar um fato sobre sua associação religiosa. Tanto é que posteriormente, nesse mesmo sermão, Russell, ao se referir à organização humana chamada “Maçons”, disse: “Eu nunca fui maçom.”

  • O Pastor Russell estava envolvido com misticismo?

Pelo contrário. O misticismo e o ocultismo sempre foram expostos como obras de Satanás. Os membros de Betel da época do Irmão Russell e muitos Estudantes da Bíblia ainda hoje fazem o seguinte voto diário:

“A Ti faço o voto de estar alerta para resistir a tudo que se assemelhe ao Espiritismo e Ocultismo, e, lembrando-me que existem apenas dois amos, resistirei a tais armadilhas com todos os meios razoáveis, como causadas pelo adversário.”

Veja mais: Resolução Matinal e Voto

  • O Pastor Russell era “piramidólogo”? Qual o papel da Grande Pirâmide de Gizé no ensino dos Estudantes da Bíblia?

Assim como o estudo do significado bíblico dos números não é o mesmo que o estudo ocultista chamado “Numerologia”, o estudo do possível significado bíblico da Grande Pirâmide de Gizé não é o mesmo que o estudo ocultista chamado “Piramidologia”. Russell, e diversos teólogos de seu tempo, deram atenção a apenas uma pirâmide, a de Gizé. Sobre ela, a postura tanto naquela época como na atual é:

“Independentemente da interpretação ser correta, na Tabela das Eras a Grande Pirâmide serve meramente para ilustrar o trajeto da humanidade desde a queda de Adão até Cristo, Sua ascensão ao Plano de Existência Divino, a rejeição dos falsos cristãos e como a Igreja se ergue debaixo de Jesus qual cabeça e pedra principal e chega até ele, no céu, alinhando-se perfeitamente com seu caráter. Como qualquer pirâmide em um gráfico, serve também para ilustrar diferentes níveis hierárquicos. Para os Estudantes da Bíblia, a Grande Pirâmide não é um dogma. Não possui o mesmo caráter salvífico de outras doutrinas especificadas na Bíblia Sagrada, nosso único guia claramente inspirado por Deus.”

Para informações adicionais, veja: O diagrama profético de Deus

  • Russell está enterrado debaixo de uma pirâmide que ele mesmo mandou construir?

Não. Russell foi enterrado numa cova com uma lápide simples. Posteriormente, Rutherford mandou construir uma lápide mais elaborada que chamava a Russell de “O Mensageiro de Laodiceia”, bem como, perto dela, uma réplica da Grande Pirâmide de Gizé, com o emblema da cruz coroada, em homenagem não apenas a Russell, mas a outros membros proeminentes da Sociedade, incluindo o próprio Rutherford, quando morresse.

Para informações adicionais, veja:

Será que o Pastor Russell está enterrado DEBAIXO de uma pirâmide?

Será que foi o Pastor Russell que teve a ideia de construir uma pirâmide no cemitério em que foi enterrado?

 PERGUNTAS SOBRE CRENÇAS E PRÁTICAS:

  • Qual a edição de Bíblia que vocês usam?

Usamos todas as edições disponíveis em português, à medida que as conseguimos. É comum, em nossos estudos online, pesquisarmos os textos principais em diferentes versões da Bíblia. Quanto mais opções de tradução, melhor a clareza. Usamos também concordâncias e dicionários de hebraico e grego (Strong, etc.) para nos ajudar na compreensão das palavras. Também gostamos de, quando prático, consultar obras que mostram variações textuais, ou seja, que mostram as principais diferenças nos manuscritos existentes. Nos Estados Unidos, a Bíblia mais usada entre os Estudantes da Bíblia é a King James, desde a época do Irmão Russell.

  • A esperança de salvação dos grupos que aparecem no Apocalipse, a “Grande multidão” e os “144 mil” é celestial? Qual é o destino final dos que ficarão na Terra após o Armagedom?

A esperança desses dois grupos é claramente celestial. Apocalipse 14:1-3 diz que os 144 mil estão no “Monte Sião” com o Cordeiro (Jesus) e que foram comprados da Terra. Apocalipse 7:9-11 diz que a Grande Multidão está diante do trono e louvam a Deus por terem sido salvos. Apocalipse 19:1 diz que a Grande Multidão está no céu e ela é vista dizendo as mesmas palavras de agradecimento e louvor que a Grande Multidão de Apo. 7:10. O versículo 15, desse mesmo capítulo, diz que servem “dia e noite no templo de Deus”. Todas as outras ocorrências de “templo” (naós) em Apocalipse referem-se ao céu.

Isso não quer dizer que não haverá pessoas na Terra após o Armagedom. Acreditamos que todos os humanos que não foram iluminados com o conhecimento e o Espírito Santo de Deus terão uma segunda chance aqui na Terra, durante a Era Milenar. Se forem obedientes e passarem pela prova final quando Satanás for solto do abismo no fim do Milênio, receberão a vida eterna na Terra, mas não a imortalidade celestial.

  • Quais são as perguntas batismais dos Estudantes da Bíblia?

Não se trata de uma liturgia, nem de palavras que precisam ser recitadas ao pé da letra. Mas, de modo geral, e com algumas variações, as perguntas batismais, desde a época do Irmão Russell, são:

(1) Você se arrependeu dos pecados com a restituição de que é capaz, e confia no mérito do sacrifício de Cristo para o perdão de seus pecados e para a base de sua justificação?
(2) Você fez uma consagração completa de si mesmo com todos os poderes que possui – talento, dinheiro, tempo, influência – tudo ao Senhor, para ser usado fielmente em Seu serviço, até a morte?
(3) Com base nessas confissões, nós o reconhecemos como um membro da Família da Fé e estendemos a você a mão direita da comunhão, não em nome de qualquer seita ou partido ou credo, mas em nome do Redentor, nosso Senhor glorificado, e Seus fiéis seguidores.” – O Que o Pastor Russell Disse, páginas 35 e 36, em inglês.

  • Charles Taze Russell marcou a volta de Cristo para 1914 e outras datas?

Não. Na verdade, podemos afirmar categoricamente que ele não “marcou” a volta de Cristo para data alguma, pois, quando o Movimento dos Estudantes da Bíblia começou, Russell aceitou a explicação de que Cristo já havia “vindo” invisivelmente em 1874. (Para se ter uma ideia, a primeira Torre de Vigia de Sião [A Sentinela] só foi publicada em 1879.) Quanto a 1914, para Russell era o ano em que terminaria os “Tempos dos Gentios”, com a subsequente libertação do Israel natural. Ele entendia que seria um período de grande turbulência. Isso aconteceu com a Primeira Guerra Mundial: as nações-império que ocupavam a Palestina se desintegraram, abrindo caminho para a criação do moderno Estado de Israel em 1948. Tudo isso ocorreu debaixo de uma grande turbulência mundial. No início, Russell chegou a acreditar que os problemas começariam antes de 1914 e findariam naquele ano, com a Igreja estando completa nos céus. Mas depois, e uns 10 anos antes de 1914, passou a entender que as tribulações começariam em 1914 e que a Igreja não poderia estar completa até essa data. Para informações adicionais, queira ver: 1914 foi um “fracasso profético” de Russell?

  • 2043 é uma nova data para o Armagedom?

Não. Mas alguns Estudantes da Bíblia acham que pode apontar para o fim da época da colheita, isto é, o fim do ajuntamento dos cristãos que farão parte dos 144 mil, a Igreja. Para mais informações, queira ler: Os Estudantes da Bíblia e o ano de 2043

  • Os Estudantes da Bíblia votam em candidatos? Servem ao exército?

Na sua grande maioria, os Estudantes da Bíblia não votam, não se candidatam, nem servem ao exército. Na Convenção Geral dos Estudantes da Bíblia, por exemplo, existe uma “Comissão Para Objetores da Consciência”, cujo propósito é fornecer informações aos jovens na idade de servir ao exército.

  • Qual a visão dos Estudantes da Bíblia em relação às obras sociais?

Os Estudantes da Bíblia acham que a maioria delas são positivas. Muitas eclésias e indivíduos contribuem de algum modo para tais.

  • Russell se via como infalível? Exigia que todos seguissem cegamente suas opiniões? 

Em suas próprias palavras:

“Eu já indiquei a vocês o que eu penso que isso pode significar; mas não tenho certeza; parece-me implícito, penso eu, que Deus lhes concederá a recompensa de uma natureza superior. Isso é tudo o que posso dizer. E eu não sei se será maior do que a Grande Multidão, mas acho que não. Eu não sei. Você vê que é bom ser capaz de dizer que você não sabe, às vezes. Algumas pessoas dão a entender que eu sou infalível e sei tudo. Vocês são testemunhas de que isso não é verdade.” (Livro de Perguntas, Q14:1)

3 comentários em “Perguntas sobre Russell e os Estudantes da Bíblia

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  1. Muito bom saber um pouco sobre a crença de vocês sou Jw. Gostei dos artigos de vocês desmentindo as mentiras que os opositores do irmão Russell pregam sobre ele.

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