Será que 1914 foi um “fracasso profético” de Russell?

Alguns, com falta de conhecimento ou preconceito contra a obra dos Estudantes da Bíblia, afirmam que Russell previu o fim do mundo para 1914, e isso não se cumpriu. Em primeiro lugar, os Estudantes da Bíblia não previram o fim do mundo para ano algum. Cremos que a Terra continuará a ser habitada e será transformada num paraíso. Porém, mesmo em relação às expectativas da glorificação da Igreja e da vinda do Armagedom para 1914, o que muitos se desapercebem é que, ANOS ANTES de 1914, Russell mudou seu entendimento sobre o significado dessa data, e, em vez de ser o “fim”, passou a ser o começo da chamada Grande Tribulação. Ele não mudou seu entendimento depois de um suposto fracasso da “predição” para 1914, mas, como dito, antes de chegar aquele ano. É interessante notar também que 1914 de fato VIU um grande conflito, o primeiro de PROPORÇÕES MUNDIAIS, e que se encaixa muito bem na descrição de uma “Grande Tribulação”. 

Além disso, em 1914 terminaram os TEMPOS DOS GENTIOS, pois, com o fim da Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano, que ocupava a Palestina e que impedia o retorno dos judeus para sua terra de direito, foi removido, abrindo caminho para a criação do moderno Estado de Israel em 1948. (Mais informações sobre a restauração de Israel aqui.)  

Muitos Estudantes da Bíblia acreditam que a Grande Tribulação começou naquele ano e se estende até nossos dias, e culminará com o Armagedom. Longe de ser um fracasso, os estudos do Irmão Russell sobre o ano de 1914, embora não fossem “predições” ou “profecias” no sentido estrito dessas palavras, tiveram sim, um notável cumprimento.

Alguns mencionam uma edição do Bible Students Monthly (“Mensário dos Estudantes da Bíblia) com a manchete em letras garrafais “FIM DO MUNDO EM 1914” para provar que Russell pregou até aquela data que o fim viria em 1914. Ocorre, porém, que o subtítulo da mesma manchete dizia: “Esta não é a visão de Russell nem dos I.B.S.A.” (Estudantes Internacionais da Bíblia, sigla em inglês.)

Trecho do que foi escrito nesse artigo do “Mensário dos Estudantes da Bíblia” sobre 1914:

“… se temos razão em dizer que a sua parousia começou em 1874, a forma de isso acontecer corresponderia com a maneira de sua partida. Ele não veio com gloriosas hostes, ressonantes trombetas, etc, mas como um “ladrão de noite.” Se nossa data e cronologia estiverem corretas, os Tempos dos Gentios terminarão este ano — 1914. 

O que significa isso? Não sabemos ao certo. Nossa expectativa é que o governo ativo do Messias começará aproximadamente no tempo do fim da concessão de poder aos gentios. Nossa expectativa, certa ou errada, é que haverá manifestações maravilhosas de julgamentos Divinos contra toda a injustiça e que isso significará a quebra de muitas instituições do tempo presente, se é que não de todas. Alguns textos parecem indicar que isso significará uma anarquia mundial, nem tudo começando no mesmo momento, nem terminando ao mesmo tempo, mas começando e gradualmente se difundindo por todo o globo. A sugestão adicional é que essa tribulação por fim se revelará uma bênção para a humanidade, amolecendo seus corações no Dia da Angústia (ou, Tribulação), ensinando-os a terem mais simpatia uns pelos outros, rompendo o poder da superstição, das riquezas, da ignorância, etc — preparando-os para o governo glorioso do Reino do Messias.”

As expectativas de Russell para Babilônia em 1914

Como já dissemos, Russell esperava que a dominação dos gentios sobre a nação de Israel terminasse naquele ano. Pelo visto, ele também esperava que Babilônia deixasse de ter qualquer tipo de influência sobre o povo de Deus. Nesse sentido, ela “cairia como uma mó (pedra)”. Notamos isso em seu comentário feito em A Torre de Vigia de Sião de 15 de junho de 1911:

“Observando estes paralelos, encontramos 1874 como o início desta ‘colheita’ e do ajuntamento dos ‘eleitos’ desde os quatro ventos do céu; 1878 como o tempo em que Babilônia foi formalmente rejeitada, Laodicéia foi vomitada — o tempo desde o qual se declara, ‘Caiu, caiu Babilônia’ —, destituída do favor divino. O paralelo em 1881 parece indicar que ainda se mantinham certos favores aos em Babilônia até essa data, não obstante a rejeição do sistema; e, desde essa data, temos entendido que essa relação não tem sido em nenhum sentido vantajosa, mas tem sido, em muitos sentidos da palavra, uma clara desvantagem da qual, somente com dificuldade poderia alguém libertar-se, auxiliado pela graça do Senhor e pela verdade. E, em harmonia com este paralelismo, outubro de 1914 testemunhará o fim total de Babilônia, ‘como uma grande mó lançada no mar’, completamente destruída como sistema.”

Alguns usam a menção de Russell sobre o fim total de Babilônia em 1914 para provar que ele, em 1911, esperava o Armagedom para 1914. Mas isso não é verdade. O que Russell queria dizer, então?

Cremos que Russell estava se referindo não ao Armagedom, mas ao fim completo do domínio de Babilônia sobre os santos, que mesmo antes desse ano já estavam “saindo dela”. Russell achava, no início de sua obra, que existiam cristãos gerados por Espírito em Babilônia. Segundo sua cronologia, em 1881 o sistema havia sido rejeitado, mas muitos desses cristãos gerados por Espírito ainda estavam lá. De 1874 até 1914 ocorreria o ajuntamento desses santos. Isso corresponderia ao paralelo do fim da Era Judaica, onde também houve um ajuntamento dos judeus por 40 anos. Mas a partir de 1914, Babilônia ficaria totalmente “deserta”, a voz do noivo (Igreja verdadeira, cristãos gerados por Espírito) não se escutaria mais lá, ela se tornaria, então, “habitação de demônios e antro de toda espécie de espírito imundo” (Apo. 18:2).

Notem o aspecto gradual da rejeição de Babilônia até sua queda final. Na mente de Russell, muitos dos eventos no Plano de Deus ocorrem em fases graduais de mudança.

As reais expectativas de Russell para a Grande Tribulação (Tempo de Aflição)

Numa sessão de perguntas feitas a Russell em 1905, aprendemos muito sobre o que Russell realmente esperava para 1914:

CRONOLOGIA – Início da Tribulação em 1914. ::Q70:3:: PERGUNTA (1905) – 3 – Por que a Tribulação deve COMEÇAR com 1914?

RESPOSTA. – Eu respondo que a razão pela qual esperamos que ele comece lá no sentido pleno é que o Pai esboçou o Plano para toda essa Era. Aqui, o Ir. Russell proferiu um longo discurso sobre os “Tempos dos Gentios”, mostrando que seu arrendamento de
::Página Q71::
poder começou em 606 a.C. e terminará no outono de 1914, o que pode ser encontrado em detalhes no Vol. 2, da obra Aurora do Milênio (Estudos das Escrituras).
CRONOLOGIA – Início ou Fim da Tribulação em 1914. ::Q71:1:: 

PERGUNTA (1905) – 1 – Será que o tempo de aflição começa ou termina em 1914 e por quê?
RESPOSTA. – Respondemos que tem havido uma boa parcela de aflições. (Vocês sabem que temos um canto de aflições bem ali (ele sorriu e apontou para o seu pequeno escritório). Houve e haverá momentos de aflições no que diz respeito à Igreja. Olhem para as perseguições. Mas a referência aqui e, adequadamente, é para o “Grande Tempo de Aflição” mencionado em Daniel, capítulo 12, onde diz, “haverá um tempo de aflição como nunca antes”, e nosso Senhor acrescenta: “Nem tampouco há de haver [novamente]”. Bem, esse é o tempo de aflição a que estamos nos referindo, e não começará nem terminará em 1914. O tempo de aflição pode ter um começo agora, mas esses começos estão apenas levando à verdadeira aflição. Se houvesse um tufão chegando, você esperaria primeiro ver a poeira e a agitação antes que as casas fossem varridas, e assim vemos isso acontecendo na Rússia. O tempo de aflição, o horrível momento da anarquia, segundo nossa compreensão, começa realmente lá, embora, como a poeira do tufão, haverá e agora há problemas que precedem a tal horrível anarquia. Quanto a quanto tempo durará, não sei, mas não consigo imaginar como isso pode durar muito.
CONCLUSÃO

Os que afirmam que Russell esperou durante todo o tempo pelo fim em 1914 e só mudou de ideia depois, quando este não veio, estão, no mínimo, sinceramente equivocados, e, no máximo, mentindo descaradamente.

Suas últimas expectativas para 1914 realmente se cumpriram. Os primeiros ventos da Tribulação começaram a soprar, com a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Os Tempos dos Gentios realmente terminaram e os a nação de Israel, depois de quase dois mil anos no exílio, foi restaurada. Em breve acreditamos que essa nação sofrerá um grande ataque e será milagrosamente salva. Nesse momento, as escamas cairão dos olhos dos judeus e eles, finalmente, aceitarão o Messias. É por volta dessa ocasião que teremos o que a Bíblia chama de Armagedom. Assim acreditava Russell, e assim acreditam os Estudantes da Bíblia atuais.

8 comentários em “Será que 1914 foi um “fracasso profético” de Russell?

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  1. Acho um equívoco pensar que o cumprimento dos tempos dos gentios vai resultar em os judeus se converter ao cristianismo. O restauro do israel não tem nada a ver com o israel nação, mesmo que eles rejeitaram Cristo. A explicação TJ de um israel espiritual tem mais lógica. O pacto de Deus com os judeus já terminou e não tem mais nada a ver com eles.

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    1. Em Romanos 9-11, Paulo relaciona o programa redentor de Deus para os crentes, com as promessas da aliança feita com a nação de Israel. O item principal desta questão é: como podemos nós, os crentes, confiar que Deus vai completar o Seu plano redentor para nós, quando Ele ainda não completou o Seu programa da aliança com Israel? Será que Israel perdeu o direito ao futuro que Deus lhe prometeu?

      “Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Romanos 11:29).

      Nenhum crente verdadeiro e fiel poderá perder o dom divino da salvação e da justificação recebido através da fé em Jesus Cristo.

      ““38 Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, 39 Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. ” (Rm 8:38-39 ACF) ”

      Do mesmo modo, Deus completará toda a promessa incondicional feita ao verdadeiro Israel, porque os judeus “são amados por causa dos pais” (Romanos 11:28); a segurança eterna dos crentes está inseparavelmente ligada à garantia do futuro de Israel. Negar uma verdade é negar a outra e confirmar uma verdade é confirmar a outra.

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  2. Ola
    Eu sou um estudante da Bíblia com as Testemunhas de Jeová.
    Gosto muito de assistir os vídeos e ler os seus comentários só que eles me proibiram.
    Mas eu gostaria de receber as publicações de vocês.

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  3. Interessante como a organização das testemunhas de Jeová se esforça para incutir nos seus membros que o entendimento da Bíblia por parte de Charles T. Russell estaria quase todo equivocado. Acessando este site e lendo algumas das publicações dos Estudantes da Bíblia, comprovei que o entendimento que tinha o irmão Russell, são extremante válidos nos dias de hoje. Obrigado Estudantes da Bíblia por compartilhar esse conhecimento. Chegou bem a tempo na minha vida.
    Eu já lhes contatei por e-mail deixando um relato sobre mim bem como meus dados para contato.

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    1. Obrigado, Irmão Paulo, pelo incentivo. O que me atrai nos Estudantes da Bíblia é justamente isso. As Verdades fundamentais. Ontem mesmo, ao traduzir o capítulo de uma publicação falando sobre o Resgate, eu cheguei a comentar com minha esposa que aquilo era muito valioso e era uma pena as TJs terem abandonado esses conceitos. Sou grato por isso ter sido preservado, e agora me esforço para compartilhar com todos.

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