Vontade e Testamento de Charles Taze Russell

(Obs.: As partes iniciadas com um asterisco não constam do texto original. São apenas comentários.)

Considerando que em várias ocasiões durante os anos passados doei à SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS todos os meus bens pessoais, com exceção de uma pequena conta bancária de cerca de duzentos dólares, no Exchange National Bank de Pittsburgh, a ser paga à minha esposa caso ela sobreviva a mim, resta-me apenas o amor e meus melhores sentimentos cristãos para deixar a todos os queridos membros da família da Casa da Bíblia – e a todos os demais queridos colaboradores na obra da Colheita – sim, a todos os da família da fé em todos os lugares, que invocam o nome do Senhor Jesus como seu Redentor.

Todavia, ao fazer a doação da revista TORRE DE VIGIA DE SIÃO, do TRIMESTRAL DA VELHA TEOLOGIA e dos direitos autorais dos livros AURORA DO MILÊNIO – ESTUDOS DAS ESCRITURAS e de vários outros folhetos, hinários, etc. à SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, eu o fiz com o entendimento explícito de que manteria completo controle de todos os interesses destas publicações durante meu período de vida, e que depois de minha morte estes serão conduzidos de acordo com meus desejos. Passo agora a especificar esses desejos – minha vontade com relação aos mesmos – conforme segue:

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UMA COMISSÃO EDITORA DE CINCO

Determino que todo o encargo editorial de A TORRE DE VIGIA DE SIÃO ficará nas mãos duma comissão de cinco irmãos, os quais exorto a grande cuidado e fidelidade à verdade. Todos os artigos publicados nas colunas de A TORRE DE VIGIA DE SIÃO terão a aprovação irrestrita de pelo menos três membros da comissão de cinco, e exorto a que, se algum
assunto aprovado pelos três é conhecido ou tido como sendo contrário aos conceitos de um ou de ambos os outros membros da comissão, tais artigos sejam retidos para reflexão, oração e discussão por três meses antes de serem publicados — a fim de que, tanto quanto possível, se mantenha a unidade da fé e os vínculos da paz na administração
editorial da revista. Os nomes da Comissão Editora (com essas mudanças que possam ocorrer de tempos a tempos) serão publicados em cada número da revista – mas não se deve indicar de modo algum por quem os vários artigos que aparecem na revista foram escritos. Bastará ser reconhecido o fato de que os artigos são aprovados pela maioria da comissão.

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*** O primeiro parágrafo deste trecho foi citado na revista A Sentinela de 1° de março de 1987, pág. 14. O que não se admite nessa Sentinela é que isto foi logo desacatado. Durante a maior parte da presidência do sucessor de Russell (J. F. Rutherford), quem determinava o que iria ou não ser impresso na revista era o presidente da Sociedade e ele fazia isso sem consultar ninguém. Não havia nenhuma Comissão Editora que tivesse voz ativa, e de cuja aprovação da maioria dependesse a publicação de algum artigo. Nem havia qualquer especificação de nomes dessa Comissão Editora na revista.
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Uma vez que a Sociedade já me garantiu que não publicará qualquer outro periódico, será também requerido que a Comissão Editora não escreva ou não se associe com quaisquer outras publicações, qualquer que seja a maneira ou o grau. Meu objetivo nestas exigências é livrar a comissão e a revista de qualquer espírito de ambição ou orgulho ou
liderança e que a verdade seja reconhecida e apreciada por seu próprio valor, e que o Senhor possa ser mais particularmente reconhecido como o Cabeça da Igreja e a Fonte da Verdade.
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***Logo no início da presidência de Rutherford, ele deu início a um novo periódico, chamado A Idade de Ouro. Este periódico começou a ser publicado pela Torre de Vigia em 1920 e é a atual revista Despertai!. E novamente, quem determinava o que iria ou não ser impresso nesse periódico era o presidente da corporação, não uma comissão editora.
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Cópias de meus discursos dominicais, publicados nos jornais diários, abrangendo um período de vários anos, foram preservadas e podem ser utilizadas como matéria editorial para A TORRE DE VIGIA ou não, conforme a comissão achar melhor, mas meu nome não será mencionado, nem se dará qualquer indicação referente à autoria.
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***De fato, o nome de Russell como autor nunca mais apareceu na revista. Porém, todas as matérias dos discursos dele foram descartadas com o tempo, até porque não havia nenhuma Comissão Editora para decidir se iria usá-las ou não. E o nome que apareceu muitas vezes como autor, principalmente dos livros publicados pela organização, foi o de Rutherford, deixando bem claro para todos que a “liderança” da organização era exclusivamente dele. Isto, naturalmente, era o contrário do que Russell tinha determinado no Testamento.
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Os nomeados abaixo como membros da Comissão Editora (dependendo de aceitarem) são considerados por mim como completamente fiéis às doutrinas das Escrituras – especialmente a doutrina do Resgate – que não há qualquer comunhão com Deus nem qualquer salvação para a vida eterna, a não ser por meio da fé em Cristo e obediência à Sua Palavra
e seu espírito. Se qualquer um dos designados, a qualquer momento se encontrar em desarmonia com esta disposição, estará violando sua consciência e, portanto, cometendo pecado se continuar a ser membro desta Comissão Editora – sabendo que isso seria contrário ao espírito e à intenção desta provisão.

A Comissão Editora se auto-perpetua, de modo que se um de seus membros morrer ou renunciar será dever dos restantes eleger seu sucessor, para que a revista jamais tenha um número publicado sem uma Comissão Editora completa de cinco. Encarrego a comissão designada de ter grande critério na eleição dos outros que venham a completar seu número – que a pureza de vida, a clareza da verdade, o zelo por Deus, o amor pelos irmãos e a fidelidade ao Redentor sejam características proeminentes dos escolhidos. Em acréscimo aos cinco designados para a comissão, designei outros cinco, dentre os quais prefiro que se faça a seleção, para preencher quaisquer vagas na Comissão Editora, antes que se parta para uma seleção geral – a menos que, no ínterim, entre a data da elaboração deste testamento e a data de minha morte, ocorra algo que indique a estes como menos desejáveis ou a outros como mais desejáveis para preencher as vagas mencionadas. Os nomes da Comissão Editora são, conforme segue:

WILLIAM E. PAGE,

WILLIAM E. VAN AMBURGH,

HENRY CLAY ROCKWELL,

E. W. BRENNEISON,

F.H. ROBISON
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***Que o desejo de Russell era deixar o trabalho dele aos cuidados dessa Comissão Editora, e não a cargo dum único homem se torna claro por ele ter disposto, inclusive, sobre a continuidade da existência dessa comissão. No segundo parágrafo acima ele enfatizou que ‘nenhum artigo deveria ser publicado sem haver uma comissão editora completa’. Como
já mostrado, isso foi descumprido.
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Os nomes dos cinco a quem sugiro como possíveis candidatos desejáveis a preencher as vagas da Comissão Editora são, conforme segue: A. E. Burgess, Robert Hirsh, Isaac Hoskins, Geo. H. Fisher (Scranton), J.F.Rutherford, Dr. John Edgar.
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***Note-se que o nome de Rutherford não constava na primeira lista dos mais indicados por Russell e sim na segunda lista, dos substitutos. Além de a determinação da existência duma Comissão Editora ter sido logo desconsiderada, a história mostra que em pouco tempo Rutherford assumiu o controle completo dos destinos da organização. Note-se
também que há seis nomes alistados, quando o testamento diz “cinco nomes”. Alguns dizem que o nome de Rutherford não constava da lista original.
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O anúncio a seguir deve aparecer em cada edição de A TORRE DE VIGIA, seguido pelos nomes da Comissão Editora:

COMISSÃO EDITORA DA TORRE DE VIGIA

Esta revista é publicada sob a supervisão de uma Comissão Editora, pelo menos três dos quais leram e aprovaram como VERDADE cada um dos artigos que aparecem nestas colunas. Os nomes da Comissão que está servindo agora são: (nomes a seguir).
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***Durante toda a presidência de Rutherford, a prerrogativa de determinar o conteúdo das publicações, ou seja, o que era considerado pela organização como “verdade”, era dele próprio.
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Quanto à compensação, acho sábio manter a prática passada da Sociedade referente aos salários – que nenhum seja pago; que simplesmente seja provida uma ajuda de custo para aqueles que servem a Sociedade ou à
obra dela de alguma maneira. Em harmonia com a prática da Sociedade, sugiro que a provisão para a Comissão Editora, ou para os três que estarão ativamente envolvidos, consista de não mais do que uma provisão para sua alimentação e abrigo e dez dólares por mês, com um subsídio moderado para esposa, filhos ou outros dependentes deles,
conforme a Diretoria da Sociedade considerar apropriado, justo e razoável – que nenhuma provisão seja feita para juntar dinheiro.

Desejo que o TRIMESTRAL DA VELHA TEOLOGIA continue a ser publicado como no presente, tanto quanto as oportunidades de distribuição e as leis do país permitam, e que os números consistam de reimpressões de
edições antigas de A TORRE DE VIGIA ou trechos de meus discursos, mas que nenhum nome apareça em conexão com a matéria, a menos que isso seja exigido pela lei.

É meu desejo que as mesmas regras se apliquem às edições em alemão, francês, italiano, dinamarquês, sueco ou qualquer outra publicação estrangeira controlada ou apoiada pela SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE
BÍBLIAS E TRATADOS.
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O periódico

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